segunda-feira, 18 de maio de 2015

TUDO É ESCURIDÃO

TUDO É ESCURIDÃO.

Tudo é escuridão quando se tranca dentro do peito
A angústia pelo silêncio
[Enquanto por fora tudo sorri ao descaso de nunca ter sido]
Tudo continua escuridão quando se olha ao sol
E se vê apenas chuviscos de uma luz fosca
[Que desintegra do peito o ardor de viver]
E tudo será escuridão
Enquanto o grito continuar abafado pelo medo da repulsa
... pelo medo do erro...
Tudo um dia é escuridão
[Mas cabe a eu gritar e rasgar a falta que, diminutiva, cobre minha alma]
Cabe a eu  dizer um basta e virar poesia.
Poesia para o mundo, mas principalmente para mim.
Não ser o fim,
Não chegar ao fim.
Não querer ao fim...
Cabe a mim enquanto permeio na escuridão, ser vela e florescer no centro
Dessa luta uma bela cantiga que assustará os medos, descobrirá as janelas
E levantará o que antes no chão estava.

Cabe a mim. Ser o escuro. Porém não me perder neste.
Igor Passos

sábado, 9 de maio de 2015

Eu me transformo

E em cada momento da vida me transformo em pó e volto ao nascimento. Ouso em deixar para trás todas as peripécias que um dia me fizeram prender os pés nos acordes da vida, ali morri ao mesmo tempo que nasci (ou não seria a vida exatamente isso? Esse complexo de ser e não ser, de ter e não ter, de enfim, nascer e morrer). E mesmo com tanta angústia e até mesmo certa solidão, caminho para frente: acredite, isso nem sempre é lógico. As tais peripécias deixam marcas que gritam e queimam no peito, muitas vezes chamando de volta ao leito tão inóspito nesse presente que um dia foi futuro.
Busco me recriar. Ser reciclagem para o mundo e para mim, ser a borboleta que nunca acaba de se metamorfosear por completo, exijo o novo. Aliás, sou o conjunto de todas essas peças que me dão, que apresentam-me, e já dizia meu pai: carro com peça velha sempre empaca e é isso que evito: empacar na vida..
Ah seu moço, parece fácil esse caminho, mas não é. O importante é seguir sempre com um coração limpo e puro, sempre com o céu azul na memória e uma página em branco pronta para escrever-se a própria história. Não importa quanto tempo leve: os sonhos são plumas que transformam as almas e estes devem ser sonhados e vividos.
Hoje já não sou quem eu era antes de começar a vos falar, já sou outro e isso me encanta. A capacidade de inovar e perceber que o outro cabe dentro de mim. A mão, meu amigo, que seja estendida ao aperto e não às pedras. O abraço sempre permitido e o coração sempre amplo. Mesmo que daqui cinco segundos eu já tenha outro nome e outra história, saiba que a alegria sempre existirá.

O mundo muda, eu mudo e agradeço por mudar, mas a alegria em viver e poder me transformar perante aos meus próprios desejos me faz mais humano e mais capacitado para mais uma vez, quem sabe, me transformar.
Igor Passos

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Dona morte e seu diálogo com o Bem e o Mau.

Dona morte, certa vez fora invocada para uma conversa entre o bem e o mal. Tal reunião tinha o intuito de esclarecer o seguinte fato: quem realmente morria?
Com todas sua desconfiança, saiu vestida com seu véu para tal encontro, caminhou lentamente com sua foice até chegar ao local indicado. Lá encontravam-se duas formas de sombras: uma de luz e uma de escuridão.
- Ora dona morte, como sempre muito pontual... – Balbuciou a forma negra, com certo ar de sarcasmo.
Ignorando tal sentença, dona morte sentou-se no centro que dividia as sombras.
- O que há de tão importante que é necessário minha presença? - Indagou dona Morte.
- Queremos uma resposta. Há séculos existe uma batalha entre o bem e o mal, quem na realidade mata e quem realmente morre. – Disse calmamente a sombra branca.
- Mas o que querem dizer com isso, oras? Todos morrem, um dia todos tem de me encontrar! – Proferiu dona Morte em meio a tragos inacabáveis de seu cigarro.
- Não dona Morte, não é isso. Não pode ser! Alguém tem que ser culpado de tudo isso. O lado negro exige uma explicação. Ou tem o bem que mata ou tem o mal que o faz. Ou morre, ou mata.
Em meio a tantos questionamentos a impossível Dona morta, parou um pouco, como se buscasse dentro de si uma explicação palpável para ela própria. Era como se o tempo tivesse parado e pela primeira vez em toda sua existência ela se encontrasse em crise.
Ela era o meio termo. Era a morte e era a causa. Era a lágrima e era o riso. Era o bem, ao mesmo tempo que era o mal.
Dona morte estava em êxtase. Estava muda. Estava... difícil de se aceitar... Morta.
- Então dona separadora e determinadora dos tempos, o que tem a nos dizer? – Implorou a sombra de luz.
Não sabia bem o que dizer e as palavras que se seguiram foram como uma bomba. Tanto para ela, quanto para as sombras.
- A culpa é individual. – sussurrou dona Morte. – Eu sou apenas uma ponte de ligação entre o mundo real e o mundo dos mortos. Eu estou morta e viva ao mesmo tempo. Morta pois preciso fazer a ligação entre os mundos, todos os dias e todos os momentos, aliviando e trazendo a dor, já viva, pois caso só morta estivesse essa passagem não seria possível. E a morte não sou eu, a morte é individual.
Após aquelas palavras dona Morte se sentiu vazia e viu que sempre fora. Não tinha alma, nem coração. Não tinha a certeza e nem a dúvida. Ela existia naquele momento e ao mesmo tempo já não a via mais. Percebeu que ela era o segredo de sua própria existência.
- Como assim? Quer dizer que a morte é de quem tem o câncer já espalhado, que foi atropelado, a culpa é daquele que nem de seu próprio destino sabe? – Gritou a escuridão.
- Exatamente. Cada um galga sua própria vida. Assim como sou estado permanente, vocês também são. Porém mutáveis. Bem e mal são constantes de cada um, isso não o diz a morte, o estar morto. Cada um faz suas escolhas e não sou eu, muito menos vocês que vão decidir quem vai. A morte, a real morte, é inconstante, ela é um segredo que todos querem revelar, mas que nunca vão.
Naquele momento todos estavam juntos mentalmente, como um uníssono som. Perceberam naquele instante que era exatamente isso: o segredo da vida estava na morte. Todos lutavam e batalhavam para desviar deste encontro, mas o ser supremo, não dona Morte, era traiçoeiro, como um campo minado.
A morte não designa bem nem o mal. Dona Morte não escolhe a quem vai encontrar e é perceptível que os que são escolhidos tiveram a audácia de em sua vida escolher uma fruta sortida com o cupom do fim.
É certo que todos vão, dona Morte foi, o bem vai todos os dias e o mal também. E todos renascem e essa é a única certeza. Sozinhos caminham estes três, em busca do grande porém: o fim. Mas nunca o descobrem, e quando o fazem.... Infelizmente não podem voltar para contar.
Neste exato momento estavam sentado lado a lado, dona Morte, a Luz e a Escuridão e nesse conjunto perceberam que são interligados, um meio, um início e um fim que se fundem na vida diariamente. E que nessa mesma vida, tão individual e vazia, não sabiam até quando continuariam.
Com toda a dor da incerteza dona Morte levantou-se, após ver que não era nada ao mesmo tempo que era tudo. Levantou-se para buscar mais um afortunado desse cheque mate.
Em resumo, dona Morte percebeu que não é válido tentar decifrar sua mãe. A grande Morte é silenciosa e sorrateira. Vale lembrar, mais uma vez, que não se sabe quando nem onde ela está, com isso o que vale é saber ter a luz e a escuridão. Saber o dom tão rápido (como um piscar de olhos) que é viver.
O legado que cada um tem é lembrado, não sua morte. Pois no momento em que se morre, a única coisa que é relembrada como um memorial é Dona morte e não o infortunado que ela bateu a porta para levar.
Igor Passos


sábado, 21 de março de 2015

Não pensávamos que chegaria, mas chegou e bem mais rápido que o planejado.

Não pensávamos que chegaria, mas chegou e bem mais rápido que o planejado.
Muitas das tantas vezes esquecemos que a vida é só uma linha inconstante, uma corda bamba que passa escorrendo por nossas mãos, muitas vezes esquecemos que os momentos são únicos e passageiros e que o para sempre tem data de término. A correria humana nos faz esquecer de que daqui seis meses nada será certo, de que seremos jovens sozinhos procurando emprego, esquecemos de que as memórias, talvez, não possam mais se concretizar.
O problema é que sou dos mais sentimentais e já sinto a perda da inconsequência, a perda de toda adrenalina que possuímos nesses três anos, mas prezo pela constante amizade, prezo pelo amor que cultivei e prezo pelos frutos de todas essas preocupações. Mesmo que daqui a seis meses tudo seja incerto eu quero continuar contado com os mesmos rostos, para chorar e rir, para divertir-me, para viver.
Ainda não acabou, mas já penso muito nesse fim, esse fim de lembranças perdidas, de momentos vividos e dos tantos que poderíamos ter aproveitado. Esse fim está me causando uma explosão: estou aprendendo o tal Carpe Diem, estou aprendendo o sentido de único e sei que tudo isso que já se passou foi único e que o agora deve, a cima de tudo, ser vivido, pois também é único.
Mesmo que doa, eu sei que é necessário e é uma porta que se abre ao fim desse ano. Mas meus caros amigos, estou com medo, é um medo que consome meu peito e dilacera minha alma, é um medo do desconhecido, é um medo da queda livre. Mas mesmo com esse medo eu quero dizer que: confio em vocês e mesmo se nada der certo para nós, um dia dará.
A vida começa a se mostrar a partir de agora, a pressão, o medo e a inconstância. Não pensávamos que chegaria e me lembro dos devaneios a respeito desse ano, me lembro da ânsia pelo fim, o problema é que o fim chegou e bem mais rápido que o planejado. Não estamos preparados, não estamos seguros e nem queremos essas portas abertas, quero as asas de mãe, mas sinto a necessidade de voar, de pular dessa montanha e desaguar nesse rio, que tal se chama vida. E para finalizar essas lamentações que tanto gritam em meu peito, digo: não sei ao certo quem seremos nós daqui um ano, mas em minha mente, em meu coração e em minha alma, vocês serão sempre o porto seguro que tanto me ajudaram, serão sempre aquela mão que me levavam à casa, serão minha família escolhida a dedo, serão pai e mãe quando estes se forem, são meus irmãos mandados por uma força maior. Mesmo que daqui um ano não nos conheçamos mais e todos nossos caminhos sejam embaralhados e todas as coisas começarem a ser diferentes, eu estarei aqui, pensando em tudo que vivemos e em tudo que um dia (eu sei que sim) iremos viver.
Este ano é o mais difícil, é como ter que soltar a mão da mamãe no primeiro dia de aula da alfabetização. São incertezas, são medos, são desejos. E acima de tudo, é uma grande aprendizagem que eu quero carregar pelo mundo a fora.
E mesmo que doa, mesmo que sangre eu quero correr, nas tuas mãos eu quero lavar meus olhos e quero que ao fim lembremos de que tudo valeu a pena. De que tudo foi a base para um voo ainda maior.
(Meu caros amigos, vistamos nossa coragem e corremos em busca de todo tempo perdido, busquemos em nosso interior a essência que precisamos para cumprir essa jornada e nunca deixemos perdido o sentido disso que nós chamamos de amizade.

Em meu peito eu cultivo o jardim de alegrias e amores que vocês me proporcionam).

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Espalhe que o amor não é banal.

Quando mais novo, olhava pela janela e desenhava em minha mente todas as formas que gostaria de ver nas nuvens, olhava as pessoas e imaginava seres desconhecidos que a noite dançavam, beijavam e se amavam. Fui crescendo e vi que as coisas não eram tão simples assim. A dança existe, mas em outro sentido, o beijo existe, porém antecede o escarro (já dizia nosso grande amigo Augusto dos Anjos). Porém, hoje, voltei a olhar a janela e percebi que o amor, que o afeto é muito maior que eu por tempos pensei.
O amor se concretiza na bondade, nos bons atos. O amor é muito mais que flores ou chocolates. O amor está presente no ouvir, no cuidar, no querer bem. Esse sentimento, ou melhor, estado de espírito pertence a todos, é só questão de ser. Amar é sair e ver beleza naquele poste de luz que ilumina uma ruela vazia, amar é sentir o abraço que o vento manda, é dar bom dia a um desconhecido. O ato de amar se concretiza naquela conversa na fila de banco com aquele moço que você nunca viu e nunca mais verá.
Amar, meus caros, é saber olhar aos olhos e ver a alma e não os defeitos, é saber aceitar que o modo errôneo de alguns camufla um grande triunfo de qualidades. Amar é não cobrar nada, é simplesmente ser feliz consigo mesmo e mostrar isso ao mundo. Não há distinções enquanto se ama. Não há medo, e caso esse apareça, converta-o em um sorriso.
Dentro do amor cabe-se tudo, mas é preciso paciência e isso é amor também. O amor se configura nas virtudes.
Quando se fala de amor não se fala de moral (diga-se moral filosófica, aquele tal conjunto de regras que rege o social), mas sim de ética. É a reflexão sobre os atos, é a reflexão sobre  o bem comum. O amor é a felicidade que cresce no peito ao ver o próximo bem.
O amor, por fim, é a mais bela das virtudes. Quem ama nada teme, nada perde. Tudo ganha. Amar é ver no próximo que o mundo é um todo e não uma parcela. Amar é a capacidade de aceitar o outro sem olhar aos defeitos, é a capacidade de ver beleza até mesmo em uma sacola que voa sem sentido.

Amar é o mais profundo estado de espírito, em que o ser humano pode compartilhar o céu em apenas um abraço.
Igor Passos

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sobre a noite

Eu gosto do jeito como a noite vem. Leve, mansa e totalmente desconhecida. Parece que fomos feitos para vivermos juntos, eu e a noite, numa valsa infinita onde há espaço para mais alguém, só que caso esse outro alguém falte, a lua ocupa seu lugar.
O vento que bate em meu rosto em todas as noites que caminho sem estrada certa, me sinto vivo, esse vento gélido que bate às costelas, que quebra o medo e abre um sorriso, esse vento que tanto espanta muitos, me atrai. E eu corro. Corro para acompanha-lo e ainda ouso dizer: “ó seu vento, me espera, deixe que consigo voar também”. Esse vento me lembra como é viver, como é correr pelos sonhos....
Então, caro leitor, a noite é por si só completa, a lua é a melhor companheira. Junto ela temos as estrelas que me guiam nos passos incertos, esta bola que exala luz clareia o fim da reta, e mesmo quanto todos se vão, quando todos não podem mais ficar, lá está ela. A lua, suas filhas e o velho amigo, todos dançando contigo, escutando as lamúrias que o dia traz.
E aí está mais uma ótima qualidade deste estado diário, seus ouvidos são de veludo e sua boca conselheira. A noite, a bela noite, escuta os defeitos dos afortunados, dos amantes, ela guarda os mais doces e profundos segredos dos que ousam despir em sentimentos. A noite, meu caro leitor, é o deleite que todo amante gostaria de ter.
É na noite, inclusive, que os amantes se libertam, que os poetas nascem novamente, é na noite que os medos são exorcizados. A noite, em toda sua beleza e complexibilidade, traz a vasta paz. Quem na noite se encanta, encontra o descanso mais esperado, encontra a cama que aconchega e o ar fresco do suspiro.
É na noite que me encontro, que funciono.

No dia, ah, no dia eu preparo o ensaio que na noite se tornará um espetáculo.
Igor Passos

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Tudo aquilo que eu quero ser

Todos os dias, ao acordar, olho para dentro de mim e penso: "o que será que eu quero ser?". Posso querer muitas coisas, posso ser astronauta, posso ser bombeiro, posso até ser teu amor... Mas não e isso que quero.
Chego então a conclusão de que eu quero ser a paz que muitas vezes me falta, quero ser a voz que grita, ser o salto de vida.
Quero ser o ator que vive sem ensaio, que vive no improviso, no riso leve.
Quero ser a flor que brota no momento em que não há mais esperança, quero ser o colo que acolhe e a mão que afaga. Quero ser o coração que bate forte, o homem que grita por direitos, que ama e preza pela felicidade.
Na realidade, eu quero ser a vida e a morte juntas num único e infinito momento.
Quero ser o meu grande infinito.
Igor Passos

domingo, 18 de janeiro de 2015

10 filmes para o fim de semana

Olá galera, saiu hoje no vlog um vídeo de indicação de filmes e venho aqui vos falar um pouco a respeito dos mesmos.
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1.        THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW
O filme não segue os padrões que tanto vemos nos musicais mais aclamados, ele tem sua essência própria. Sua história traz a lembrança de Frankenstein e é um filme delicioso, as músicas e o momento em que elas aparecem são muito bem unidos. A história não é tão profunda, porém é o típico filme que vai fazer você querer sair e dançar pela rua.

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2.       EVOCANDO ESPÍRITOS
Esse meio dos filmes de terror é meio complicado. Hoje em dia é muito difícil encontrarmos um filme que nos faça medo, porém ‘evocando espíritos’ nos traz tudo aquilo que pode causar medo. Ele trabalha essa linha entre o real e o imaginário, a sanidade e a loucura. Além de trazer um ‘q’ de espíritos. Em alguns momentos acaba sendo um filme comovente, mas lá pelos seus 20 minutos, ele começa com seus sustos e suas bizarrices. É um filme que vai te deixar com o cabelo em pé.

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3.       LARANJA MECÂNICA
O que falar desse amor de filme? Bem, sou fã de laranja mecânica, tanto do livro quanto do filme. Bem, o filme nos traz, a cima de tudo, a visão de uma sociedade que se assemelha muito ao que vivemos hoje (mesmo tento toda uma trama futurista a vista da época) e é uma trama que me faz parar e pensar sobre  até onde a liberdade do homem pode ir e até onde a sociedade vai para construir mais ‘produtos de seu meio’. As críticas sociais presentes neste são densas, são bem construídas e super válidas. Mesmo sendo um clássico, encaixa-se muito bem nos dias atuais (sem falar no Alex que vai conquistar, ou não, seu coração).

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4.       WEEKEND
Muitos romances nos vem com aqueles típicos clichês, mas weekend foge disso, pois ele nos traz o clichê de uma forma real, de uma forma em que eu e você podemos nos enquadrar, ele é totalmente construído numa linha incerta, numa linha em que acaba parecendo que foi o destino quem o desenvolveu. ‘Weekend’ é um filme que tinha tudo para ser clichê, mas que no final, se transforma na coisa mais transparente e palpável que eu já vi.

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5.       DANÇANDO NO ESCURO
Não há nem o que se dizer deste filme. A profundidade que ele passa é incrível, é tudo muito bem pensado. É o típico filme que fará você chorar horrores sem pudor, sem medo e no final você ainda vai dizer: ‘mas por que?’. Mesmo ele sendo um pouco lento, é uma produção que vale muito a pena.

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6.       A SERBIAN FILM: TERROR SEM LIMITES
Já aviso: se você não tem um estômago tão forte, evite. Este filme traz tudo aquilo que o ser humano pode sentir repulsa, porém é muito bem articulado. Ao fim de todo esse caos, de toda essa insanidade, percebemos que o que acabamos de ver é produto de tudo que acontece no dia a dia, é o que vemos no jornal, é o que nós mesmos tentamos esconder. É a podridão que o ser humano possui dentro de si. A serbian film é um retrato do lado sombrio da mente humana.

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7.       ENSINA-ME A VIVER
Um dos filmes mais amor que já vi na vida. Ensina-me a viver nos traz o contraste da vida, o contraste entre o bom e o ruim e, sem dúvidas, nos faz refletir sobre a diferença entre viver e apenas existir. Um filme singelo, bonito e com uma mensagem de vida. Ao fim, você sentirá vontade de se levantar e viver.

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8.       HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO
É um clichê, sem dúvidas, mas acho que o que encanta neste filme é a forma como é contato, ele é simples ao mesmo tempo que é profundo, é singelo como o coração de uma criança. À assuntos sérios ele traz uma paz, uma tranquilidade, uma forma bonita de explica-los. É um filme que acaba ganhando nosso coração pela inocência, pela beleza do amor, por mostrar que este sentimento tem muitas facetas, mas não se fecha a ninguém. Ao fim percebemos que sim, todos tem o direito de amar e toda forma de amor é válida.

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9.       IRREVERSÍVEL
Prepare a mente e o estômago. Irreversível é forte, polêmico e vai causar mal estar. Primeiramente por você o entender por completo apenas na última cena, pois ele é contado de trás para frente. Segundo, ele possui uma cena de estupro muito real. Terceiro, há uma vingança que é muito forte. O filme todo tem uma atmosfera muito pesada e ao final acabamos tendo um impacto muito maior por um detalhe que, nossa, parte o coração. É um filme muito bem pensado, muito bem construído (você, no início não entenderá nada e ao final, além de entender, terá um impacto). Além de sua sonoplastia, que convenhamos, causa também um mal estar muito grande.

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      HEDWIG AND THE ANGRY INCH

Totalmente fora do nosso convencional, ‘hedwig’ traz uma trama original, gostosa e totalmente envolvente. É um musical com uma pegada underground, com músicas muito boas e ah... Seus personagens são encantadores.  Não há muito o que falar deles, mas apenas isso: assistam!

domingo, 28 de dezembro de 2014

Palavras inacabadas de um dia qualquer de trabalho: SEMANA II - AO ANO QUE CHEGA

Este fim traz consigo incertezas, tais presentes em cada instante, mas não percebidas. Há o medo da morte, da perda, da desilusão, porém tais medos são desnecessários.
A cada amanhecer levanto-me, calço meus sapatos e visto o peito de coragem, pois a vida é exatamente isso: caminhar a passos cegos; para errar, para descobrir. Então, a partir daí, as incertezas tornam-se reais: nada na vida, absolutamente nada, é planejado. E eu aceito esta cláusula do contrato vital.
Quero nessa nova etapa fazer-me luz aos olhos dos cegos, fazer-me flor nas mãos dos amantes. Quero permitir que meu peito fale quando necessário e que eu não mais me arrependa. E nos dias de escuridão, faço-me junto a eles, para me descobrir, revalidar-me como homem.
Quero doar mais que pedir, pois ao olhar para os lados que me cercam percebo que sempre há um poço maior que o meu.
A respeito do amor, não pretendo cobrar absolutamente nada. No fundo percebi que o este é livre e voa para o ar que quer, que afeta a quem chegou a hora. Exigi-lo é só uma forma a mais de sofrimento. Em contra partida, não me privarei de amar: as coisas, as pessoas, por fim, a mim, a vida. Amar é sinônimo de alegria, quem ama sabe partilhar, pois mesmo no pouco consegue ver imensidão.
Sou também do querer agradecer mais. A cada manhã olho pela minha janela e esqueço de agradecer o tanto que tenho, a chance que me foi fornecida, mais uma vez, de mudar algo. Pretendo muito agradecer, agradecer a oportunidade de ser quem sou.
O ano se molda com base nos nossos desejos. Mesmo sendo o destino um nó cego, ele acaba sendo uma argila, ao qual moldamos uma estatueta do presente que, logo logo, se tornará um passado estendido na prateleira da vida. E cada a mim decidir se este será exposto no melhor dos lugares ou somente, mais uma ver, esquecido no fundo de um capítulo perdido nessa inóspita memória.
Igor Passos

domingo, 14 de dezembro de 2014

Palavras inacabadas de um dia qualquer de trabalho: SEMANA I - Inconstante

É inconstante, mesmo que não pareça, é inconstante.
Pois o céu nem sempre é azul e o mar é conturbado.
E eu achei que havia amor nos corações, porém só há desilusão.
E o bar é cheio, mas não vejo a vida.
(Porém estes olhos não ousam chorar)
Ser forte, ser inconstante.
Somente nas noites frias, com os filmes tristes
que elas pulam.
(Mas isso não importa)
Somente a solidão.
A inconstante leveza de não ter sido
...
Igor Passos

domingo, 9 de novembro de 2014

TALVEZ

Deslocando o imaginário para o real
montamos nossos dias.
Mas o deslocamento é longo e tudo
parece igual.
E os dias seguem-se monótonos,
a não ser que chova
a não ser que aconteça um acidente.
A alegria não é matinal...

Mas quando chove tudo se transforma.
Tudo se alvoraça.
As pessoas correm contra as gotas.
Porém eu permaneço.
Pois os dias são fortes como as lágrimas celestes.
Os seres são tempestade.
E as semanas são curtas..

Asa relações humanas esvaíram-se.
Sou eu.
És tu.
Não existe o nós.
Meu caro, tome seu café com calma.
Pois enquanto você persegue o sul,
a vida corre para o norte.

O capitão saiu e os marujos tomaram conta do barco.
Nós somos o capitão.
Tal este que se cala
Que abaixa
que não faz mais nada do que existir.
Talvez falte a loucura.
Talvez falte a humanidade...

domingo, 2 de novembro de 2014

CONTO II: Marta e o rapaz do carro.

Marta estava encostada no muro gélido daquela vazia rua. Chovia um pouco e fazia muito frio, sua vestimenta não lhe era propícia, sem levar em conta que o movimento naquela noite estava muito fraco: há duas horas que os carros passavam e não paravam.
Naqueles duros minutos que se seguiam, ela pensava no que decidira para sua vida. "Pra você restou a vida que escolheu, mas pra mim só a voz que Deus me deu". Aos seus 15 a vida era tão singela, não que agora não fosse, mas as coisas se consolidaram de uma maneira um pouco árdua. Sentia falta do calor humano. Abusada já do sexo selvagem, do capitalismo que a consumia. Sentia falta de ser humana. Um cara parou. Marta olhou para dentro do vidro do carro, um homem mito diferente daqueles que tanto iam a sua procura. Era esbelto, cabelos médios, no banco traseiro alguns livros estavam jogados.
- Venha! - Disse o homem - entre.
E ela, por alguma força interna obedeceu, sem impor preços, horários, regras... Apenas entrou.
- Então, qual teu nome?
- Marta. - Nesse instante sentiu uma enorme vergonha por ter revelado sua real identidade aquele rapaz.
Seguiram a viagem em silêncio, Marta olhava com fervor os livros que estavam a sua disposição, o homem  a examinava, não com um olhar de desejo, mas com um olhar maternal. Pegara em suas mãos o exemplar de "A insustentável leveza do ser", lembrava o que sentira quando o lera. Ele olhou-a.
- Belíssimo livro.
- Senti-me viva quando o li.
- Acho que compartilhei do mesmo sentimento. - Estacionaram em frente a uma casa totalmente diferente daqueles quartos de motel que antes se deitara Marta. O homem entrou e deixou a porta aberta, quando ela entrou, o homem apontou o sofá e a bela moça sentou-se.
Não entendera ainda onde queria chegar o estranho do carro. Belo demais, culto por completo, encantador em todos os sentidos, não havia motivo para tais circunstâncias.
- Então, o que vai ser? - Marta estava curiosa e, por incrível que pareça, excitada com a possibilidade de deliciar-se com aquele ser.
- Quero conversar contigo. - Ao falar estas palavras, sentou-se numa poltrona que encontrava-se à frente de Marta.
Enquanto isso, ela estava paralisada. Aquilo a deixou nervosa, era mais estranho do que todo o resto da situação.
- Sobre o quê? - Foram as únicas palavras que saíram de seus lábios.
- A vida... Não acha que ela se transformou em algo tão mecânico?
"Te desejo de dor..."
- Não tão mecânico, mas animal.
- Como assim? - Ele demonstrava um interesse tão grande ao que ela tinha a dizer.
- As pessoas são humanas, mas os sentimentos foram transformados. Não há mais amor puro, não há tanta paz ou amizades. As pessoas pregam o individualismo, a exaustão do homem. Não somos leves, muito pelo contrário, somos uma tempestade que cai sobre um piso de terra...
- Você ama? - Interrompeu-a.
- Não. - Respondeu secamente.
Neste momento Marta percebeu o quanto contribuía para tal fato. Não amava a ninguém, porém fingia dá-lo a todos que falsamente o procuravam. Sentia-se mais impura que nunca.
- E por quê não ama? Não achas que amando o outro, poderia fazer com que os homens fossem mais humanos?
- Talvez não... O amor nem sempre é sinônimo de felicidade. Junto a ele encontramos o ciúme e as falsas esperanças. Mesmo sendo verdadeiro, ele causa danos.
- Acho que estou entendendo seu ponto de vista. Porém creio que você confunde amor com paixão.
Ela se espantou, pois nunca amara ninguém e o amor nunca a foi oferecido entretanto agora um homem qualquer a apresentava a paixão. Sua mente girava em um complexo distante.
- Não entendo. Explique-me por favor.
- Há uma diferença gritante entre o amor e a paixão. O amor é puro, singelo... Assemelha-se a uma criança, não exige muito e ainda traz felicidade, alegria a quem o sente. Já a paixão é individual. Exige do outro aquilo que não somos capazes de proporcionarmos a nós mesmos. Ao nos apaixonarmos, tentamos ver no próximo o remédio para os medos que permeiam nossa alma. 
- Acho que o mundo é uma explosão de paixão...
Os olhos daquele amante brilhavam como estrelas. Sua fascinação por Marta era latente. 
- Mas e você, é paixão ou amor?
- Acho que sou a chama explosiva de um furacão que cospe paixão aos montes.
- Não sei se deveria citar, mas isso me lembra um homem que conheci a alguns anos. ele prezava pela humanização do ser humano, mas tudo que ele deveria falar aos olhos, falava por míseras mensagens. Isso vinha a matar-me!
- Estou matando-te então?
- Não é isso, é que vejo em seus olhos que tens muito a dizer, porém não tem o espaço. 
- Perdão pela intromissão, mas duas coisas: primeiramente, por quê me escolheu? E segundo, porque está sozinho?
- Achei-te interessante e está chovendo, além de eu precisar muito dessa conversa. Estou só pois acho que sou muito amor enquanto os outros esperam e explodem paixão.
Marta calara-se e nem imaginava o que se passava no corpo daquele homem. A qualquer momento poderia morrer e ela estava dando a oportunidade que ele tanto esperava em sua vida. 
Mas as horas passaram e a madrugada chegou, aquele amável ser seguiu seu destino, deixando com a bela mulher o seu exemplar de "a insustentável leveza do ser". Porém Marta não pôde parar para pensar no que acabara de acontecer, pois nesse instante mais um carro parava em seu ponto. Só que os homens eram os mesmos e o carro fedia do mesmo jeito e no fim, os quartos acabaram por serem os mesmos de sempre... E no término... Bem, o término foi paixão, pois o amor já não existia.

sábado, 25 de outubro de 2014

Conto I: Só pra ser teu homem

Naquela Manhã Joaquim perambulava pelas tesourinhas, sua mente voava em um infinito com frequência diferente àquela que ele mesmo se entregava.
Chovia naquela manhã.
As coisas fluíam numa intensidade muito menor do que há tempos atrás. No rádio tocava Clarisse e assim como a música, seus sonhos se configuravam tristes e inertes. Fez o carro parar por conta de um sinal vermelho. Ainda não conseguia aceitar esse trânsito tempestuoso que encontrara em Brasília. 

"Como uma ampulheta imóvel não se meche, não se move, não trabalha..."

Não tinha um local para ir. "Quis dividir mas não soube dosar, peso de mais pra um só carregar". E nem um local para pensar, mas precisava o fazer. Percebera que o mundo configurava-se estranho; era apenas um e fazia de tudo para mostrar a si mesmo o melhor, mas um melhor repleto de ódio e competição... Engraçado, competitividade e ódio com ele próprio.
+.+.+.+
"Somos como flores, porém nos comportamos como armas. Falta tanto amor e compaixão enquanto há de sobra, como Alex diz, a ultra violência. Que as flores desabrochem e formem um jardim de cheiros." Pensava Joaquim enquanto tragava seu Malboro sentado em um chão gélido qualquer. Enquanto tragava os últimos centímetros do cigarro, uma imagem veio a sua mente:
" Somos como esse cigarro: nascemos numa caixa, a sociedade vai tirando parte por parte nossa, tragando-nos, usando-nos e jogando-nos ao ar. Por isso que algumas pessoas estão mortas e mesmo assim continuam caminhando. Espíritos mortos em castas mais vazias ainda."

"Quando eu percebi estávamos só nos dois de novo nesse apartamento. Organizar o tempo que se foi e o que vai ficar..."

Não percebera ele, mas Antônio sentara-se ao seu lado. Histórias cruzadas de dois seres que se configuram em um só.
"O mundo é repleto de armas, mas algumas pessoas ainda permitem-se ser flores. E ele é a rosa que faltava em meu jardim..."
E mesmo que Joaquim em outra frequência encontrava-se, sabia que, no fundo, a beleza da alma ainda se encontrava em uma pequena comunidade.
Mesmo sendo só uma sociedade, o belo real ainda tentava se mostrar, para ela própria. Joaquim sabia disso e enxergava toda essa afirmativa nos olhos de seu universo: Antônio. Tal este que as armas existiam, porém as flores transpiravam de seus olhos.

domingo, 19 de outubro de 2014

Vai menina

Eu sei que dói pequena...

Enquanto tu escreves nestes papeis molhados pelas lágrimas que escorrem do teu rosto, o mundo corre lá fora. Eu sei que parece uma queda, tal esta que nunca acaba, porém pequena, ela acaba sim.
Vai menina, limpe esses olhos, pegue aquela rosa que tanto gostei de lhe dar, vai, vista seu vestido, coloque seu salto. Salte para a vida.
Parece que tudo se desfez em pequenos repartimentos e que nenhum destes lhe cabe mais, como uma roupa velha, porém, entenda, a vida é assim. Do início à chegada vários meios termos existem e estes, caso para trás fiquem, é por quê deveriam lá ficar. O melhor te espera.
Vai menina, olhe nestes espelhos que refletem tua dor: retire-a! Vai menina, desça a rua, compre teu sorriso novamente. Eu sei que dói, mas olhe-se e procure o melhor. Você é o melhor.
Vai menina, pare de olhar no relógio, evite tentar ser alegria, apenas deixe acontecer. A vida possui flores também, pegue-as.
Você as merece.
Levante-se e cresça novamente. 
Vai menina, retire o preto da vista e pinte os lábios com o radiante vermelho. Há um mundo desconhecido a cada esquina esperando tua ida.
Eu sei que dói.
Mas é necessário. A vida exige isso, a faça. A viva e não exista. 
Vai menina, realize teus mais profundos sonhos, como se hoje fosse só teu, pois é. Não olhe para trás.
A bondade que tu carregas é excepcional, porém use-a para ti também.
Vai menina, se rabisque de alegria, faça valer teu nome.
Vai menina, não oprima tudo isso que queres.
Vai menina, venha ao meu encontro para juntos sermos felizes. A felicidade bate a tua porta e espera uma grande ópera, pois seja a natureza exposta compondo a mais linda das sinfonias.
Menina, levante a cabeça... O passado é um livro que não é de leitura obrigatória, a cada dia se é possível renascer e recriar-se, como um texto que não deu certo de início.
Vai menina, acredite que você vale a pena. 
Pois eu, eu, mesmo com todos meus defeitos mais oriundos, acredito.

O mundo precisa de ti.

domingo, 5 de outubro de 2014

Tua dor

Não sei o complexo que se formou
mas decidi a ti escrever.
Sei que as coisas andam confusas e dissimuladas,
que o destino parece conspirar às paredes
E que os sonhos já não se configuram fáceis, mas sim
tristes.

Mas dê-me tua mão.
Tu és a salvação,
Tu és maravilhoso por existir.
Por ser quem é.
O pássaro que esconde-se em teu peito
Voa mais alto que o deles.
Seus olhos me puxam para dentro
Como os de Capitu.

Tu és a água que os falta,
A alegria que quer sair de seus sorrisos.
Tu és a graça que o mundo precisa
E a majestade que um dia virá a mostrar
A verdade.

Não suprima tua dor, deixe que saia.
Mas não a faça necessária.
Eles podem gritar e estrangular
teus sentimentos.
Mas no fundo
O que resta
É o teu melhor.

Vejo por entre teus olhos,
teus gestos,
Teu espírito.
Tal este que grita
Por paz, carinho, igualdade.
E eu quero que grites isso ao mundo.

Não te reprimas jamais.
Deixe voar.
Tu és incrível.
Tens um futuro lindo pela frente.
à arte ao mundo, tu ao além.

E, a cima disso, reflita
Tu tens o melhor dos corações
E a melhor das intenções
E leu os melhores livros
E viu os melhores filmes
E tem um bom sentimento
Além de ótimos pensamentos
E pensa no outro.
Apenas os cale.
Destrua o conceito deles.
Tu vencerás.
E eles verão
De baixo
O ser puro de paz
Que um dia
Jogaram
As
Esquerdas.

sábado, 13 de setembro de 2014

Um verso qualquer escrito num intervalo de tempo que bem... Não deveria ter existido.

Para ele o mundo se resumia em coisas,
para ela, em vidas.
Ele queria conhecer Paris, França, Nova York e Londres.
Enquanto ela se prendia em conhecer a essência daquilo que chamavam de vida, de ser.
Para ele, os dias eram longos e casmurros. 
Para ela, cada segundo voava como uma flecha que acerta o peito do pecador. 
Eram curtos e importantes e magníficos, pois eram únicos.
Ele saia com intenção da aparência.
Ela, com o viver com a intenção de sentir o gosto dos frutos desconhecidos.
***
Enquanto ela ia ao cinema,
Ele perdia o tempo fotografando aqueles seres mortos em cima de uma passarela.
Enquanto ela lia Kafka,
Ele lia Vogue.
Ela se perdia no emaranhado dos surtos de Crystal Castles.
Ele nem se perdia, pois tudo que escutava o levava para o mesmo ponto.
***
Ela era poesia
Enquanto ele era um vidro vazio.
Ela era oceano,
Enquanto ele era rio.
Ela o queria
Enquanto ele apenas a usava.
***
E no fim ela mudou-se e constituiu um novo sentido
Ele continuou no ponto onde fotografava os mesmo seres
diariamente
Reclamando da vida importuna.
Enquanto ela chorava nos seus caminhos por não o ter
Conseguido junto levar.
***
Ele estava ao rumo de norte 
No mesmo instante que ela estava voltando ao sul.
Ela estava perdida.
Ela estava regredindo ao início.
E ele apenas a deixou ir.
sem nem ao menos tentar entender
ou conhecer
aquela importuna garota.
Ele perdeu a chance de sua vida.
***
E o fim dos dois não foi um romance francês.
Ela morreu de amor,
Enquanto ele de overdose.
E ele até hoje não compreende.
O tanto que perdera
Enquanto ela se calara
e o medo lhe subia a cabeça
por tantos outros errôneos relacionamentos.
Ela o deixou partir.
Pois tinha medo de quebrar-se em três novamente
E ele ficou sem a vida
Sem a alma
Sem nada
Continuou um escrúpulo imoral e vazio.
Achando que tudo tinha
quando no máximo
não tinha
nem um palito de fósforo queimado.
Ele não tinha o tempo
enquanto ela tanto o possuia.
Ele a perdeu. Assim como ela
nem ao menos saiu
de sua comodidade
para mostrar
o universo que se seguia
na beira de seus olhos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Ontem 07, hoje 107.

Mudamos drasticamente os caminhos que nos regem
Saímos e quebramos as portas,
Como um cristal que se despedaça em outros milhões de cristais.
Somos a soma de tudo aquilo que fomos e de tudo aquilo que
podemos ser.
Porém não aceitamos.
Os erros continuam na memória,
Como sombras,
Espíritos que recorrem nos momentos menos propícios.
E o sol já não colore mais o céu e o frio não assusta mais
E o escuro se tornou apenas um lar.
Somos feitos para o fim
Acabamos sozinhos.
No frio a migo e intocável da noite,
na companhia dos pombos e do maço de cigarros
Talvez seja o pessimismo,
mas com  o passar dos anos a vida se torna mais fria
não encontramos um complemento,
nem mesmo uma casa,
seremos felizes em momentos que não conseguiremos aproveitar
e no fim morreremos.
Todos juntos, cada qual na sua individualidade.

domingo, 24 de agosto de 2014

Da matemática, do logaritmo e de tudo que rege essa vida.

Perdido como um pássaro longe do ninho
Pus-me a estudar;
Os números misturavam-se em minha mente
Como um bêbado a procurar sentido
nas linhas tortas da vida.

Porém como uma ágil puta,
astuta e potente em seu dever,
Aprendi.
Por caminhos tortos,
Por dias obscuros,
Vi no fim, a regra.

Para divisão irei subtrair,
Como a dor que assola o peito,
Como os dias que se tornam somáveis.
Vou subtrair quando no log., a divisão surgir.

Peguei-me a uma multiplicação
E nesta, como bom semeador,
Irei somar.
Como os amores,
Como as cartas aos amigos.
Vou somar, quando no log., a multiplicação achar.

E por fim caí.
Assim como no expoente do Log.
Viverei os dias
Como um grande gênio da matemática,
Cujo aprendeu por caminhos 
tortos
Aquelas tais regras
Que como leis divinas
Regem nossos dias
Em constantes...
Em grandes constantes....

Igor Passos - Poema criado para um simples dever de matemática, mas que no fim, ganhou meu coração.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Nem toda flor tem no fim um belo cheiro.

Diga-se de passagem que o que sentimos se embrulha dentro do peito. O sentir é complexo, dependemos de algo mais, uma soma inacabada é o que somos.
Mas no fundo, o que é o sentir? O amor? Tudo, aparentemente, é rosa, leve e até mesmo soberbo, só que ao fundo tudo é algo mais. Há, ao amar, uma doação, uma descoberta. Tudo se transforma, não somos mais os mesmos. Como uma borboletas entramos em mutação, adentramos em um casulo.

***

Doar-se ao próximo é uma missão árdua, sair de nossa zona de conforto é algo que assusta, mas, às vezes, o fazemos. Encontramos no próximo aquilo que tanto nos falta, só que uma ponte se abre: o querer não é poder. A dor consome o homem, a angústia do platônico. Porém há luta, há força e resistência, até quando as pernas são quebradas, ainda queremos lutar. No momento mais baixo da paixão, o blues e a poesia se transformam em heavy metal e realismo; transforma-se em traição de Capitu.

***

E existe uma grande falta, mesmo sem ter sentido, mesmo sem ter tocado, há a falta do idealizado. Mas mesmo com essa abstinência as coisas se tornam belas. As cores são intensas, como uma viagem de LSD, o vento não faz frio, mas abraça. Cada segundo boa como um jato e a alegria invade o peito.
Mas mesmo assim, no fim, a tristeza invade o peito. Talvez  um sentimento de incompetência. Talvez sejamos predestinados a isso: a solidão; movidos a objetos vazios de afeto.

Igor Passos

domingo, 10 de agosto de 2014

Post 71 - Ao amor que há de ter um fim, e que rápido se dê.

Acontece que não esperamos pela perda, nunca esperamos pelo fim. São estes tão duros que se assemelham a diamantes: rígidos e longe de nosso toque. Porém ela vem, a perda, acompanhada de sua mãe: a dor.
Desde muito novo, pegava-me a vislumbrar a dor alheia, achava linda, abstrata e causava um real sentimento nas pessoas, suas palavras se tornavam verdadeiras e tudo parecia real, a dor era o único sentimento que causava vida, era o único que era sentido de verdade, com intensidade.
Era belo, belo até o dia em que acomodou-se em meu peito. Ainda misturado com essa droga que é o amor. Desilusões amorosas já tive aos montes, mas essa... Essa fora diferente e venho a vós explicar.

***

Tudo começa da melhor maneira, as rosas desabrocham, as borboletas voam em disparada em teu estômago, o coração já não cabe no peito, porém vivemos em um mundo imperfeito, onde vivemos num amontoado de individualismo, pessimismo. 
E não fora diferente, durou muito, porém acabou. Fim. Morte. E depois disso concluo que esse amor que tanto idolatram, assemelha-se a uma rosa: nasce linda, todos querem tê-la por perto, mas com o tempo vai morrendo, vai cansando de ficar ali, paralisada e simplesmente morre. Floresce para outro mundo. E o amor é assim, quando morre, dá espaço a dor, a angústia.
O que me pergunto é exatamente isso: quando vai passar? E será que conseguirei fazer jus a minha promessa feita no meu aniversário de 13 anos? Aquela em que prometi fechar meu peito a mim mesmo?

***

Eu tinha apenas 14 anos, era muito novo e já achava que sabia muito, porém tolo eu, não entendia nada. Nem hoje entendo. Apareceu-me em forma de anjo tal ser. "Amigos" eu disse a mim mesmo, porém fora como blasfêmia e o pecado teve seu castigo. Dobrei-me de amor, caí-me sobre seus pés e hoje, quase três anos depois sinto o peso da mão da perda. Fim. Exílio. Nossos mundos, antes únicos, hoje se partiram em vários, cujos não se cruzam, cujos não se encontram, mesmo nessa cidade tão pequena. Mesmo quase sendo vizinhos.

***

Parecia que a utopia era só uma palavra, mas hoje se tornou realidade. Aquela noite de quarta feira, um céu tão diferente e eu senti a perda. Estávamos em planos diferentes. E eis que a contradição se fez carne: o melhor dia da minha vida se tornou o último, não meu último, mas o nosso último. A dor no ônibus ao som de "canto dos malditos na terra do nunca" invadia meu peito e eu sabia: era o fim. Meu caro, querido ex grande amigo, acredite: a cima de qualquer amor, eu sou grato a ti por tudo. As palavras são falsas em grande parte dos memoráveis dias, mas estas quais eu jogo nesta página em branco, são sinceras, aliás, essa dádiva da sinceridade você me ensinou.

***

Já que de ensinamentos falamos, digamos que você foi o melhor dos professores. A vida, o planeta, as estrelas, tudo isso aprendi contigo. A filosofia que hoje carrego, os sonhos realizados... As conversas, as blasfêmias... Tudo carrego no meu memorando de lembranças. Porém e tu? Tive que deixar ir. Ensinara-me isso também: temos que deixar ir. Tudo tem um fim, recorda-se? Infelizmente esse foi meu fim.

***

"Acompanhe o pássaro, mas não atrapalhe o voo, não tente olhar com as mãos." E assim eu sigo. Espero que tenhas o melhor, pois essa fora minha promessa. Espero também que um dia nossas cordas novamente se interlacem, num dia de outubro qualquer. 
E a cima de tudo: o que eu senti(sinto)(sentirei?!) é verdadeiro, mas colocarei no lixo. Para ter algo sempre precisaremos abrir mão de algo e isso eu farei. 
Nunca se esqueça: os dias que ao teu lado passei foram os melhores, inatingíveis pelo tempo, estão cravados em min'alma.
Igor Passos